domingo, 27 de novembro de 2011

Teatro dos Sonhos

Lembro quando era criança de um miúdo sentado sobre um tapete a adorar a vista de um ecrã de 16 por 32 de uma peça magnífica.
O espectáculo em palco absorvia-lhe a atenção. Nem carros nem bolas nem outro brinquedo demoviam-no daquele show. Os olhos brilhavam ao ritmo dos louvores dos espectadores. Vibrava como estivesse nesse Teatro. Sonhava um dia fazer parte daquele cenário.
As Primaveras prosseguiram... o sonho mantinha-se.
O sonho tornou-se realidade, por terras de Sua Majestade. A ansiedade de entrar no teatro fintou cansaço das viagens. O tal miúdo já mais poderá esquecer aquela imagem na esquina da avenida em que o iluminado palco enche os seus olhos. Uma peça com 2 actos de 45 minutos cada voou no tempo até aos dias do tal rapaz sentado no tal tapete.
O cenário mágico confirmou o tal público, incrivelmente, entusiasta... os actores verdadeiros diabos em palco. O Teatro dos Sonhos justificava incondicionalmente o seu nome.
No final, o público aplaude de pé os artistas, as cortinas volvem-se e as luzes apagaram-se e o sonho foi mesmo real.



The time of my life...

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sábado, 26 de novembro de 2011

Amizade...

Amizade... belo termo para ser semeado no seio de uma conversa, não obstante a banalidade do seu uso desincorpora-lhe o seu fruto. É chique e fica bem nomear-se os familiares deste valor humano.
Muitas vezes usa-se, erradamente, a expressão “verdadeiro amigo”. Amigo ou se é ou não é. Amigo é aquele que respeita os nossos defeitos, conhece e percebe os motivos do nosso comportamento e estende a mão mesmo quando não pedido ajuda. Alguém que está à distância de um telefonema a qualquer momento, abana-nos e diz a verdade. Tudo isto pincelado com aconchego e afecto. A Amizade não se tempera com inveja e mesquinhez.
Não existe contabilidade na Amizade, eu dei e tu não, nada disso.
É verdade, sim senhor, que o quadro actual revela uma situação de crise… todavia não focalizar, apenas, a crise do dinheiro. Tal espelha-se nos momentos de maior agonia em que preferimos ter um amigo ao pé do que um bolso farto em moedas.
Infelizmente, há quem há quem não saiba estimar os seus amigos. Posteriormente, quando o quadro fica descolorido percebem o brilho que têm na vida.
A vida pode ser um mar de rosas… mas até as rosas tem espinhos. Os espinhos fazem notar-se, acima de tudo, em feridas de desilusão ou manchas de certezas incertas sobre o outro. Não creio que o tempo seja cura para estas feridas. Aliás, existe remédio?
Em suma, quem neste mar tormentoso das crises financeira e ausência de valores tiver um ombro para encostar a cabeça que preserve essa ilha.